DOENÇA DE BUERGUER – TROMBOANGEÍTE OBLITERANTE

INTRODUÇÃO

É uma reação inflamatória das paredes dos vasos que evolui para trombose. Foi descrita pela primeira vez em 1879 por Von Winimarter, mas foi Buerguer que chamou atenção em publicação em 1908,memorizadas em monografia em 1924.

Com a arteriografia, concluiu-se que muitas doenças rotuladas por Doença de Buerguer eram na realidade aterosclerose de segunda e terceira década de vida.

INCIDÊNCIA/ETIOLOGIA

Incide mais em homens na faixa etária de 20 – 40 anos,com menor incidência em mulheres (5-10% dos casos). Raro em negros. Associado ao tabagismo, em 95% dos casos. Desconhece-se o mecanismo. Quando associado ao consumo de drogas é enfermidade muito agravada.

PATOLOGIA

Incide em pequenas artérias das mãos e pés. Só em fase tardia e avançada atinge artérias de maiores calibres. Os pulsos geralmente estão presentes. Há geralmente lesão das veias superficiais na forma de flebite migratória superficial. O exame histopatológico mostra extensa proliferação das células endoteliais e fibroblastos comprometendo toda as camadas das artérias. Isto determina maior espessura da parede e diminuição da luz das artérias. A calcificação e a deposição de lipídeos na parede dos vasos (tão comum na aterosclerose), aqui não é observado. A necrose da parede e abscessos parietais, são raros. O trombo intraluminar tem forte atividade fibroblástica sem viabilização de fluxo sanguíneo. Quando se procede a cirurgia,constata se evidente reação inflamatória ao redor da artéria. A oclusão destas pequenas artérias é de natureza segmentar, episódica e recorrente. A isquemia local causa palidez, dor. seguido de cianose, frialdade, diminuição da função, ulceração, gangrena.

CLÍNICA

Claudicação, flebite superficial, importante dor, inclusive com dor decorrente de neurite isquêmica, alterações da cor da pele na área afetada (palidez, cianose, rubor), frialdade, piora do quadro com o frio.

EXAME FÍSICO

Geralmente há ausência de pulsos pedioso e tibial posterior,perda de pelos na extremidade afetada, atrofia da pele, unhas quebradiças, rubor do membro a pendência, ulceração e gangrena, edema quando com isquemia avançada, flebite superficial de pequenos vasos, ausência de sopros.

EXAMES COMPLEMENTARES

A arteriografia mostra vasos de paredes lisas (sem a irregularidade típico das artérias com aterosclerose). Nas pequenas artérias observa-se pontos de oclusão abruptas circundadas por extensa circulação colateral com aspecto “aracneiforme”. As vezes há deformidades em “saca rolha”, decorrente de recanalização parcial.

DIAGNÓSTICO

Com base nas manifestações clínicas, alterações histopatólicas, incidindo em homens na faixa de 20-40 anos, tabagistas intensos.

TRATAMENTO

Suspender o tabagismo (só diminuí-lo não resolve). Só 10% dos paciente param de fumar. Simpatectomia para diminuir o vasoespasmo (tal procedimento causa benefícios em 50% dos pacientes. Vasodilatadores. Evitar exposição ao frio, ou calor intenso. Cuidar os pés, igualmente a diabéticos. Amputação do(s) segmento(s) gangrenados. O uso de anticoagulante, corticoesteróides não oferece benefícios.

PROGNÓSTICO

É imprevisível. Depende da adesão ao tratamento – em especial da suspensão do fumo. A resposta farmacológica é incerta. Os riscos de amputações são uma permanente ameaça.


 

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