EPISTAXES/SANGRAMENTOS NASAIS

 
 
 

São sangramentos nasais, uni ou bilaterais determinados por inúmeros fatores, locais ou sistêmicos. É afecção muito freqüente e isto se explica não só pela intensa vascularização nasal como também pela fragilidade da mucosa e pela proeminência nasal, vulnerável aos traumas.

Concomitantemente ao tratamento das epistaxes, devemos de imediato buscar a determinação da (s) possível (eis) causa (s), principalmente se as epistaxes forem recorrentes:

1 – Causas Sistêmicas:

- Elevações da pressão arterial, principalmente após os 40 anos
- Enfermidades que comprometam a coagulação sanguínea (coagulopatias – Hemofilia, Doença de Willebrand, Leucemias....), Doença de Rendu Osler-Weber (telangiectasia hemorrágica hereditária)...
- Uso habitual de aspirina (ác.acetilsalicílico), ou antiinflamatórios
- Avitaminoses, em especial carências das vitaminas C e K (esta última nas enfermidades crônicas do fígado)
- Doenças do colágeno, com ressecamento das mucosas (Síndrome de Sjögren, Lupus Eritematoso Sistêmico...)
- Pacientes renais crônicos, em tratamento dialítico

2 – Causas Locais (são as causas mais habituais)

- Gripes e/ou rino-sinusites, associadas ao ar frio e seco
- Substâncias irritantes voláteis (álcool, éter, amoníaco, gasolina) e drogas, como corticóides inalatórios, anti-histaminicos (substâncias anti-alérgicas e descongestionantes que levam ao ressecamento da mucosa)
- Corpos estranhos (mais freqüente em crianças)
- Traumatismos (mais usual em adultos)

3 – Diagnóstico Diferencial

a) Epistaxe anterior: pode ser facilmente detectada pelo exame especular da cavidade nasal, em especial o septo nasal, onde é possível identificar o ponto sangrante da porção anterior do septo nasal, em área abundantemente vascularizada, denominada de Plexo de Kisselbach. Os sangramentos desta área são geralmente por rompimento de um veia diminuta que pode ser corrigido por adequada compressão.

b) Epistaxe posterior: é de identificação mais complexa e por ser geralmente devido ao rompimento de pequena arteríola (sangramento arterial). É de controle mais complexo e consequentemente mais grave, devido aos sangramentos serem mais copiosos. É comum em pessoas idosas, associados a hipertensão arterial e arterioesclerose, em que o ateroma vascular acarreta fragilidade da túnica arterial e predispõe ao rompimento vasculares.

4 - Investigação

- Investigar o uso de antiinflamatórios, medicamentos...
- Inquerir sobre a possibilidade de traumas, enfermidades sistêmicas cujo paciente seja portador e já seja do conhecimento
- Examinar o paciente, buscando manchas equimóticas que faça suspeitar de coagulopatia
- Examinar a cavidade nasal, buscando a possibilidade de identificação de corpos estranhos, pontos sangrantes, uni ou bilateralidade, intensidade do sangramento...
- Exames laboratoriais (solicitados e interpretados pelo médico): Hemograma, Plaquetas, Tempo de protrombina, Tempo de Tromboplastina Parcial, Coagulograma completo, Tipagem de sangue (se for sangramento muito intenso)
- Exames Complementares em segundo momento, caso os encaminhamentos anteriores não forem conclusivos. Proceder: R.X da face e seios paranasais, Tomografia Computadorizada dos seios da face, Endoscopia nasal, Investigação de possível discrasias sanguíneas (com dosagens dos fatores VIII e IX)

5 – Tratamento:

- Como a maioria dos sangramentos são anteriores, proceder uma compressão contínua pelo tempo de 5 à 10 minutos da asa do nariz de encontro ao septo nasal. Para tornar mais efetiva a compressão, colocar uma gaze enrolada (ou pano macio) longo e úmido antes de efetuar a compressão supracitada. Se persistir o sangramento, repetir a operação por igual tempo. Se mesmo assim continuar sangrando, confeccionar um tampão com gaze umedecida e introduzir na cavidade nasal sangrante, deixando o tamponamento por 3 a 5 dias. Podendo umedecer a gaze com substâncias vasoconstritoras para tornar mais efetivo o tamponamento.
- Se persistir o sangramento, ou caso for muito intenso, pedir a intervenção de um Otorrinolaringologista para exame adequado e descartar a possibilidade de sangramento posterior. Caso assim se confirme, deverá ser realizado tamponamento posterior que será executado pelo especialista a nível hospitalar e muitas vezes até em bloco cirúrgico, sob anestesia.

OBSERVAÇÕES IMPORTANTES:

1) Elevar a cabeça, ou abaixá-la ,fazer esforço do pescoço em extensão contra-resistência, olhar para o sol... de nada adiantam, podem inclusive agravar o quadro
2) Usar gotas nasais vasoconstrictoras geralmente são ineficazes
3) Buscar detectar a causa e tratá-la. Se foi uma crise hipertensiva esta deve ser combatida efetivamente, caso contrário a epistaxe se repetirá em curto prazo
4) Suspender o uso de corticoesteróides inalatórios imediatamente
5) Se estiver usando Ácido acetilsalicílico, antiinflamatórios, anticoagulantes, o médico deve ser imediatamente contatado.

 

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