FLEBITE OU TROMBOSE VENOSA?

INTRODUÇÃO

É frequente a terminologia TROMBOSE VENOSA, ou FLEBOTROMBOSE para toda afecção venosa trombótica, superficial ou profunda. Entretanto tal expediente pode gerar confusões, inclusive no concernente ao tratamento, prognóstico, evolução...

A gênese do processo venoso trombótico é muito semelhante, cujo resultado é a instalação de um coágulo na rede canalicular venosa, que se instala no sistema venoso superficial (subcutâneo/supra-aponeurótico/de safenas ou suas afluentes), ou no sistema venoso profundo (infra-aponeurótico), prejudicando o fluxo sanguíneo venoso de retorno sanguíneo.

Na minha visão, prefiro usar a denominação FLEBITE SUPERFICIAL, OU VARICOTROMBOFLEBITE quando compromete as veias superficiais, supra-aponeuróticas, envolvendo as Veias safenas Magna ou Parva, ou somente suas afluentes e TROMBOSE VENOSA PROFUNDA quando o fenômeno trombótico compromete as Veias profundas, infra-aponeuróticas, anexas as artérias.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DIFERENCIAIS

FLEBITE SUPERFICIAL
TROMBOSE VENOSA PROFUNDA
Dor regional, edema discreto,
vermelhidão regional, afebril ou febrícula, enduração venosa regional
Dor segmentar (coxa, ou perna), edema de toda a perna, ou desde a raiz da coxa, coloração mais escurecida de todo o segmento envolvido, evidente hipertermia regional, febre, sensação de aperto ou peso em todo o segmento comprometido, congestão/empastamento muscular de todo o segmento afetado, quando muito grave pode provocar náuseas e vômitos em decorrência do dor
Manifestações apenas cutâneas regionais
Sinais de Olow e Homans positivos
Evolução mais rápida com menores riscos de complicações
Evolução mais arrastada com maiores riscos de complicações e sequelas: síndrome pós-trombótica com edema residual, hipertensão venosa assimetria métrica e térmica; risco de fenômenos embólicos em especial a embolia pulmonar. Quando instalado em veias ilíacas ou femurais pode ter como complicações a Phlegmasia Cerulea Dolens, ou Alba Dolens
Geralmente determinado por fatores locais: varizes, administrações medicamentosas endovenosas irritantes, traumatismo venoso, ou por fatores sistêmicos (uso de anovulatórios ou hormonioterapia de suplementação do climatério)
Geralmente determinado por fatores gerais/sistemicos: anticoncepcionais,
hormonioterapia de suplementação, imobilizações gessadas, pós-operatórios com permanências no leito prolongadas, viagens aéreas ou terrestres longas, para-neoplásico, tratamento oncoterápico, secundário a colagenoses (em especial ao lúpus eritematoso sistêmico)
Tratamento : anti-inflamatórios orais, antiagregantes plaquetários, terapêutica local com calor local e heparinóides tópicos, excepcionalmente heparina subcutânea ou venosa (indicado nos envolvimentos das veias safenas)
Tratamento: anti-inflamatórios orais, ou parenterais, heparinização (na fase aguda) venosa continua ou intermitente (à critério), ou subcutânea, seguido de anticoagulação oral com cumarinicos por 6 a 9 meses, repouso no leito com pés elevados, meias elásticas de compressão, controle quinzenal dos fatores coagulação

 

 

 

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