INFLUENZA H1N1

 

1 – QUAIS AS MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS QUE FAZEM SUSPEITAR DE DOENÇA RESPIRATÓRIA AGUDA GRAVE (inclusive H1N1)?

Em qualquer idade:

- FEBRE ELEVADA, SÚBITA (DESDE O INÍCIO) 39,5º - 40ºC, por 2 à 4 dias
- MUITA TOSSE (SECA E IRRITATIVA) E DOR DE GARGANTA
- COM OU SEM MANIFESTAÇÕES GASTROINTESTINAIS (náuseas,vômitos...)
- DISPNÉIA (falta de ar)
- ou outras manifestações de gravidade (por exemplo ausculta pulmonar sugestiva de pneumonia, RX com alterações pneumônicas...)

2 –QUAIS MANIFESTAÇÕES, CARACTERIZAM GRAVIDADE?

Em adultos:

- freqüência respiratória elevada, acima de 30 movimentos respiratórios/minuto
- confusão mental
- PA mínima (diastólica) abaixo de 60mmHg, ou máxima (sistólica) abaixo de 90 mmHg
- confusão mental
- idade superior a 65 anos

Em crianças:

- desidratação, vômitos, inapetência
- tiragem intercostal (retração intercostal inspiratória)
- mau estado geral (toxêmico)

3 – QUAL A CONDUTA NO PACIENTE COM MANIFESTAÇÕES DE DOENÇA RESPIRATÓRIA GRAVE?

O paciente deve ser encaminhado (imediato) para um Centro de Referência para atendimento, onde será avaliado por um médico, que fará avaliação clínica rigorosa, procederá a realização de exames laboratoriais (hemograma, RX tórax, coleta de secreções nasofaringea para RT-PCR de preferência até o 3ºdia, no máximo 7ºdia, coleta de sangue em duas amostras para sorologia sendo a 1ª no início dos sintomas e outra na fase convalescente, 15ºdia após início dos sintomas).

4 – QUAIS OS FATORES DE RISCO PARA INSTALAÇÕES DE COMPLICAÇÕES POR H. INFLUENZA?

- Idade inferior a 2 anos e superior a 60 anos
- Pacientes com diminuição imunitária (imuno-deprimidos): portadores de câncer, em tratamento para AIDS, uso contínuo de imunossupressores
- Portador de doenças crônicas: diabetes, cardiopatias, pneumopatias crônicas (asma,enfisema..) doenças renais crônicas
- Gestação

5 – QUAL A MEDICAÇÃO SUGERIDA PARA TRATAR A H. INFLUENZA?

O tratamento consiste em medidas gerais (hidratação, alimentação nutritiva e variada, medicamentos sintomáticos...). Para os casos especiais, mais severos, a recomendação do Ministério da Saúde é o antiviral, oseltamivir (TAMAFLU), iniciando o tratamento preferencialmente precocemente nas primeiras 48 horas, mediante avaliação e indicação médica, observando interação medicamentosa e contra-indicações formais. Em gestantes considerar o risco x benefício, pelo potencial malefício fetal.

O uso de oseltamivir (TAMAFLU) deverá ser usado mediante atendimento aos critérios protocolares - nos casos graves e adequadamente indicados pelo médico. O uso indiscriminado do antiviral pode criar situações adversas, com mutações e resistências virais.

6 – QUAIS AS MEDIDAS PREVENTIVAS, RECOMENDÁVEIS?

- Lavar frequentemente as mãos, ensaboando-as abundantemente, todas vezes;
- Usar lenços descartáveis;
- Cobrir o nariz e a boca , quando tossir ou espirrar;
- Evitar tocar a mucosas dos olhos, nariz e boca;
- Aplicar álcool, ou anti-séptico degermante nas mãos com assiduidade;
- Evitar ambientes fechados com aglomerações;
- Manter ambientes arejados (janelas de ônibus, salas diversas abertas);
- Não dividir talheres, pratos, chimarrão, toalhas...com qualquer pessoa (lembre-se que qualquer pessoa pode estar contaminada, em fase de incubação e pode se caracterizar como contagiante);
- Preferir espaços ao ar livre, evitar ambientes fechados (cinemas, ônibus fechados, boates, ambientes onde realizam-se shows em espaços fechados...);
- Evitar visitas a pessoas enfermas, no domicílio ou hospitais;
- Evitar o uso de corticoesteróides ;
- Evitar cumprimentos com beijos, ou apertos de mãos com pacientes enfermos;
- Manter alimentação nutritiva, variada, rica em sucos, frutas e alimentos de natureza protéica (carnes, leite, ovos, queijos, iougurte...);
- Higiene dos objetos e móveis manuseados coletivamente. Aplicar substâncias degermantes e álcool em gel, ou a 70%, sem secar imediatamente as superfícies recém aplicadas. Manter o álcool nas superfícies é fundamental para exterminar o vírus (o álcool resseca-o e extermina-o);
- Evitar mudanças bruscas de temperaturas ambientais (ambientes aquecidos com ar condicionados, banhos quentes... e sair imediatamente para a rua);
- Uso excessivo de roupas e agasalhos, além do adequado e necessário para a temperatura externa. O excessivo uso de roupas, promove superaquecimento corporal, transpiração... ficando suscetível a mudança brusca da temperatura corporal quando exposto ao frio externo;
- Evitar a ingesta de líquidos muito gelados. O resfriamento mucoso excessivo, diminui o movimento ciliar protetor do epitélio respiratório, tornando o trato respiratório mais vulnerável ao ingresso de patógenos

7 – HAVENDO CONTAMINAÇÃO PELO H.INFLUENZA (E VENHA DESENVOLVER A DOENÇA), QUAL O PROGNÓSTICO?

O prognóstico geralmente é favorável, na maioria dos pacientes. É ordinariamente doença autolimitada, de início súbito com manifestações clássicas e intensas, entretanto com evolução igualmente rápida, a febre geralmente não dura mais de 2-4 dias e a evolução dura de 7-10dias. Nos mais vulneráveis podem haver complicações (o que não é a regra), as complicações são as Pneumonias Virais (geralmente graves), a contaminação bacteriana decorrente da vulnerabilidade de imunidade causada pelo H. influenza com instalação de Pneumonia bacteriana, ou até a associação das duas circunstâncias (pneumonia viral + pneumonia bacteriana)

8 – O TRATAMENTO DEVERÁ SER EM REGIME DE HOSPITALIZAÇÃO?

Obviamente, não. Somente os casos graves, sugestivos de doença respiratória aguda grave (citados nas questões nº 2 e 3) devem ser removidos para ambiente hospitalar para medidas de suporte indispensáveis, tais como oxigenioterapia, respiradores... A REGRA GERAL do tratamento é a realização em regime domiciliar, com a adoção de terapêuticas de suporte sintomático.

RECOMENDAÇÕES IMPORTANTES:

- não automedique-se
- não perca tempo com medidas caseiras (chás, ungüentos, inalantes...)
- procure assistência médica
- havendo a caracterização de situação respiratória aguda e grave, buscar atendimento nos Centros de Referências, Pronto Socorros... para imediata hospitalização e avaliação da indicação do antiviral

(Referência e fontes: Tratado de Medicina Interna Cecil-Loeb; Informativo do Centro Estadual de Vigilância Saúde do Rio Grande do Sul; Departamento de Saúde Pública – Município de Pelotas; Doenças Infecciosas – autor: Alessandro Pasqualotto/Alexandre Schwarzbold; enriquecido por informações pessoais - Dr. Carlos Alberto Alves Tavares).


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