HEPATITE

INTRODUÇÃO

Hepatite Aguda é um processo inflamatório difuso de parênquima hepático, com duração em geral inferior a seis meses, constituindo-se em grave problema de saúde pública no mundo e no Brasil. Nos casos graves, ou em indivíduos suscetíveis e debilitados imunologicamente , há o risco de evoluir para a cronicidade.

Várias são as causas de hepatites agudas, onde as mais importantes, pela freqüência, são as hepatites virais, quer por vírus hepatotróficos, quer por outros vírus que no envolvimento sistêmico acometem também o fígado (por exemplo: vírus EB, citomegalovírus....), existem as hepatites bacterianas, por protozoários, isquêmicas, auto imunes, tóxicas (medicamentosas,alcoólicas...).

EPIDEMIOLOGIA

As hepatites virais são causadas por 5 (cinco) tipos de vírus hepatotróficos: A, B, C, Delta e E. Outros agentes virais podem causar hepatites muitos semelhantes as afecções pelos vírus hepatotróficos, tais como a mononucleose, vírus da rubéola ( muitas vezes o diagnóstico diferencial, só será concretizado com exames laboratoriais específicos).

HEPATITE
TRANSMISSIVIDADE
PREVALÊNCIA
Hepatite pelo Vírus “A”
Via fecal-oral (água e alimentos contaminados), sendo raro a parenteral (injeções)
Atinge principalmente indivíduos jovens, dependentes das condições de higiene
Hepatite pelo Vírus “B”
Via parenteral (injeções), sexual,vertical (de mãe para filho, durante o parto)
Atinge todas idades, predominando entre os 20 – 40 anos de idade
Hepatite pelo Vírus “C”
Via parenteral (injeções), ou por outras vias não identificáveis. A via sexual representa apenas 3% dos parceiros estáveis
Atinge todas as idades. Tem importância pela situação de ficarem assintomáticos, evoluírem para cronicidade e desenvolverem tumores hepáticos. Os transfusionados antes de 1993 são de risco
Hepatite pelo Vírus “D”
Via parenteral (injeções), sexual, vertical (de mãe para filho, durante o parto), leite materno, usuários de agulhas (viciados, tatuagens, piercings, procedimentos odontológicos...)
Atinge todas as idades. Igualmente tem importância pela possibilidade de cronicidade e indução aos tumores hepáticos.
Hepatite pelo Vírus”E”
Via fecal-oral (água e alimentos contaminados). A transmissão interpessoal é rara
No Brasil não há relatos de surtos, tem casos em países Asiáticos. Pode assumir formas graves, principalmente em gestantes.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

Dependem da fase da enfermidade. Pode ser assintomático, ou exteriorizar sintomas diversos.

Agente Etiológico
Incubação
Forma ictérica (com amarelão)
Possibilidade de cronificação
Hepatite viral “A”
15-50 dias
Menores de 10anos: 5-10%
Adultos: 70 -80%
Raríssimo
Hepatite viral ”B”
15-180 dias
30% dos casos
90% em recém-nascidos
5-10% após 5 anos
Hepatite viral “C”
15-180 dias
20% dos casos
70-85% dos casos
Hepatite viral “D”
15-180 dias
variável
variável

Manifestações outras:

- assintomáticos (bastante freqüente)
- dores músculo-articulares difusas
- debilidade física
- náuseas, inapetência, vômitos
- desconforto abdominal (principalmente dor subcostal direita)
- na forma ictérica: pele e esclera (branco do olho) amarelados, urina escura (colúria –cor de chá forte), fezes descoradas (acolia)
- aumento do volume do fígado e/ou baço (detectáveis ao exame físico ou exames de rádioimagem)

PROGNÓSTICO

- Hepatite Viral “A” – geralmente evoluem para a cura, sem deixar sequelas
- Hepatites Virais “B,”C”,”D” – podem cronificar, onde as virais “C” e “D” despertam maiores alertas

DIAGNÓSTICO

Realizados pela concretização de exames laboratoriais, por meio dos marcadores sorológicos, complementados pelas dosagens: transaminases, fosfatase alcalina, bilirrubinas, gama GT.

TRATAMENTO

É particularizado de acordo com o tipo de hepatite viral, porém algumas medidas gerais são fundamentais:

- Medicações sintomáticas (para a febre, vômitos, dores corporais....), porém com muito critério e mediante prescrição médica. Existem medicamentos, mesmo para tratar os sintomas que tem o potencial de agredirem o fígado .
- O repouso é fundamental (maior, ou menor), pelo tempo determinado pela evolução laboratorial (principalmente pela normalização das transaminases)
- Dieta pobre em gorduras e rica de carboidratos, porém o paciente inapetente deve sugerir o seu cardápio
- Suspender a ingesta de qualquer bebida alcoólica, por 6 meses a 1 ano, no mínimo
- Medicamentos protetores hepáticos, associados ou não a complexos vitamínicos não oferecem confiabilidade, nem trazem benefícios comprovados. Como tal, não são recomendados
- Quando a dosagem do Tempo de Protrombina estiver baixo, é recomendável o uso de Vitamina K (“Kanakion” por três dias consecutivos – em doses recomendáveis pelo médico)

RECOMENDAÇÕES EVOLUTIVAS

O acompanhamento médico é fundamental. De início a cada 15 dias e após mensalmente, com dosagens laboratoriais periódicas, até a detecção de duas dosagens normais com intervalo de quatro semanas

CRITÉRIOS DE ALTA

- Remissão dos sintomas
- Normalização dos exames (bilirrubinas, tempo de protrombina, transaminases...) em pelo menos duas dosagens com intervalo de quatro semanas cada uma.


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