PRESSÃO ALTA/HIPERTENSÃO ARTERIAL

CONCEITO DE HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA (H.A.S)

É o aumento dos níveis pressóricos acima do recomendado para uma faixa etária e uma condição clínica. Considera-se níveis normais de P.A de 120 x 80 mmHg.

Enquadramos como hipertenso todo o indivíduo com P.A persistentemente acima de 139 x 89 mmHg. Os que situam-se em situação intermediária entre o normal e o hipertenso, são rotulados como PRÉ-HIPERTENSOS, já merecendo cuidados e atenções específica:

- Praticar exercícios físicos regulares e adequados a sua condição e idade (30’/dia)
- Diminuir consideravelmente a ingesta de sal e alimentos que tem inerentes muito sal (queijos, embutidos – salsicha, salames, mortadela..., ”salgadinhos” industrializados; consumir no máximo 6g/dia de cloreto de sódio, sal de cozinha)
- Equilibrar o peso corporal (IMC de no máximo 25kg/m² )
- Fugir das situações estressantes
- Desfrutar de sono reparador
- Cuidar o consumo de medicamentos (alguns podem elevar a PA)

INCIDÊNCIA DE H.A.S

No Brasil acomete em torno de 20 – 40% da população. Mas é sabido que por ser uma enfermidade silenciosa, expressiva parcela da população desconhece que é hipertensa e 30% dos hipertensos são considerados NÃO controlados clinicamente, por indisciplina terapêutica, ou por tratamentos ineficientes.

O tratamento adequado da HAS é fundamental para evitarmos as complicações, onde a HAS é responsável por:

- 25% das cardiopatias hipertensivas
- 40% dos acidentes vasculares cerebrais (AVC)

Igualmente é do conhecimento que quanto mais elevada a pressão arterial, maior o risco de Infarto Agudo do Miocárdio.

AFERIÇÃO DA PRESSÃO ARTERIAL

A medida da pressão arterial é um instrumento fundamental para detectar a HAS e tratá-la, evitando-se as conseqüências. Entretanto, medir a pressão arterial exige cuidados adequados para que as cifras obtidas sejam fidedignas e confiáveis.

Diversos fatores interferem nos valores medidos: ansiedade, tabagismo, consumo de álcool e cafeína, exercícios físicos, ingesta de medicamentos...

Vejamos alguns aspectos:

1. O aparelho aferidor deve ser confiável e calibrado, com medidas do manguito adequadas as dimensões do braço do paciente (o manguito deve abranger 2/3 da extensão do braço – um indivíduo adulto tem em média uma circunferência do braço na ordem de 30 à 45 cm, nestas circunstâncias o manguito deve ter de 13 à 16 cm de largura)
2. Antes de aferir, o paciente deve ficar 5 – 10 minutos em repouso, em ambiente calmo e temperatura agradável
3. Certificar-se de que o paciente não praticou exercícios físicos nos últimos 60 a 90 minutos
4. O paciente deve permanecer sentado, ou deitado, mantendo o braço na altura do coração, livre de roupas, com a palma da mão voltada para a frente e o cotovelo levemente fletido
5. Posicionar a campânula do estetoscópio sobre a artéria braquial, ao nível do cotovelo
6. Inflar rapidamente o manguito, até 30-40mmHg acima da pressão estimada. Desinflar o manguito com velocidade constante na ordem de 2-4mmHg por segundo. Durante a desinflação caso perca a audibilidade do sopro arterial, o manguito deve ser totalmente esvaziado e reiniciando toda a aferição (se re-inflar no meio do esvaziamento, o valor aferido ficará alterado)
7. Ao esvaziar o manguito, o aparecimento do primeiro som, seguido de batidas regulares, representa a pressão sistólica (“máxima”)
8. Continuando auscultando os sons emitidos, ao interromper a audibilidade, ficará determinado a pressão diastólica (“mínima”)
9. Na dúvida na aferição, esperar 1-2 minutos para repetir toda a nova medida

ETIOLOGIA

Conforme as causas de HAS, dividimos as hipertensões em dois grandes grupos:

A - HAS primária (ou essencial) – representa 90-95% das hipertensões arteriais, aí situam-se as hipertensões sem causas conhecidas, mas tem caráter de agrupamentos em famílias, com hereditariedade efetiva, suscetibilidade as instabilidades emocionais, dietas com altas taxas de sal, diabéticos, obesidade, ingesta abusiva de álcool, alterações do sono...

B - HAS secundária – representa 10% dos hipertensos, aqui estão enquadrados os pacientes portadores de outras enfermidades, que são as determinantes da hipertensão, muitas vezes curáveis. Aqui estão: as doenças renovasculares, os tumores de supra-renal – feocromocitoma, nefropatias diversas, uropatias obstrutivas, hiperaldosteronismo primário, enfermidades das glândulas tireóide e paratireóides.

SUSPEITAR DE HAS SECUNDÁRIA, frente as seguintes circunstâncias:

Início de HAS antes dos 30 anos, ou após os 50 anos
HAS refratária ao tratamento instituído
Palpitações+Sudorese+Cefaléias (periodicamente)
Uso de drogas que podem elevar a P. Arterial
História clínica de fraturas ósseas recorrentes
Presença de sopros abdominais
Assimetria de pulsos das artérias femurais
Aumento da creatinina sérica
Queda espontânea do potássio (abaixo de 3mEq/l)
Ex. Urina anormal – proteinúria ou hematúria

INVESTIGAÇÃO

A avaliação do hipertenso deve atender três objetivos:

- Avaliar o estilo de vida (ritmo de vida)
- Identificar possíveis causas (HAS 2ª)
- Avaliar os órgãos-alvo (conseqüências) - tais como: crescimento cardíaco, cardiopatias isquêmicas, insuficiência cardíaca, alterações isquêmicas, demências, doenças renais crônicas, doenças vasculares arteriais periféricas, retinopatias.

Atentar detidamente:

- História clínica
- Exame de fundo de olho
- Cálculo do índice de massa corporal (IMC) – IMC=peso/A² (o ideal deve ser igual ou menor que 25 kg/m²)
- Pesquisa de sopros arteriais, principalmente abdominais, ou cervicais
- Pesquisa de massas abdominais pulsáteis
- Busca de edema (inchume) de membros inferiores
- Exame físico neurológico
- Exames laboratoriais (ECG repouso, exame comum de urina, hemograma, glicemia, potássio sérico, creatinina sérica, cálcio sérico, colesterol total e frações, triglicerídeos, proteinúria).

NOÇÕES PARA O TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO ARTERIAL:

1 . Equilíbrio no estilo de vida (redução peso, ingesta de sal e álcool controladas, exercícios físicos regulares, equilíbrio emocional e do sono, suspender o fumo, aumentar a ingesta de fibras - frutas e verduras, reduzir o consumo de gorduras - principalmente as saturadas)

2. Tratamento farmacológico – à critério médico com adequada supervisão periódica; existem vários grupos farmacológicos diuréticos, antagonistas adrenérgicos, antagonistas do sistema renina angiosterona, bloqueadores alfa e beta, vasodilatadores, antagonistas do cálcio...

DICAS IMPORTANTES:

Não valorize aferições na rua, calçadões, shopings... Nestas circunstâncias você não está em condições adequadas para a aferição (não está em repouso, esteve em exercício físico, talvez esteja estressado por adversidades no comércio, o aparelho não é confiável – pode não estar aferido, não tem assistência médica disponível...)

Uma só aferição não é o suficiente para conclusões. As medicações são muito individuais. Não siga esquemas terapêuticos do vizinho, do parente...

Crie vínculo com um médico ou serviço para ter uma continuidade terapêutica. O tratamento da Hipertensão arterial deve seguir uma sequência lógica para adequação terapêutica.

As medicações devem ser prescritas por MÉDICO. Existem muitas particularidades que só o médico estará apto a averiguar e fazer o esquema adequado para você.

Verifique periodicamente sua pressão se você é hipertenso. Até a adequação medicamentosa, 1 à 2 vezes por semana, após normalização dos níveis com adequada medicação, aferir em média a cada 15 dias. Se você é sadio e não hipertenso (com mais de 30 anos), verifique a pressão a cada 90 dias. Sendo diabético e mais de 40 anos, é ideal mediar a pressão a cada 30 dias.

 

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