LINFEDEMAS

INTRODUÇÃO

O corpo humano dispõe de um sistema canalicular múltiplo que através de um mecanismo circulatório conduz eferente e aferentemente líquidos, levando nutrientes as células e tecidos e recolhendo o produto final de seu catabolismo para excreção.

Este sistema canalicular compõe dois sistemas:

- Sistema Circulatório Sanguíneo, composto por ARTÉRIAS e VEIAS. As artérias conduzem o sangue eferente em relação ao coração, levando nutrientes. As VEIAS , opostamente, tem fluxo aferente – conduzindo o sangue em direção ao coração para posterior excreção.

- Sistema Circulatório Linfático, composto pelos canalículos (capilares) linfáticos, coletores linfáticos e intercalados nesta rede, os linfonodos, verdadeiros filtros da linfa.

A circulação linfática inicia em fundo cego, diferente do Sistema Circulatório Sanguíneo que caracteriza-se por ser um sistema canalicular fechado com uma bomba propulsora e aspirativa, intercalado neste circuito, o coração.

As macromoléculas passíveis de coleta para excreção, impossibilitadas de serem absorvidas pela rede capilar, cai na rede linfática, ascende pelo Sistema Circulatório Linfático, que terminalmente acaba desaguando na extremidade venosa do Sistema Circulatório Sanguíneo, havendo assim uma mistura da Linfa com o Sangue Venoso.

A Circulação Linfática tem por objetivo absorver não só as macromoléculas teciduais, mas também a reabsorção das proteínas intravasculares, a absorção das gorduras intestinais e a condução de microrganismos dos espaços intersticiais para a circulação linfática oferecendo-os aos linfonodos, onde sofrerão o primeiro combate do sistema imunológico.

O Sistema Linfático começa a desenvolver-se embriologicamente durante o 2º mês gestacional. Nesta evolução pode instalar-se distúrbios congênitos:

- APLASIAS (ausências de redes linfáticas),
- HIPOPLASIAS (menor rede linfática) ; destas hipoplasias podem resultar os Linfedemas Primários das Extremidades

LINFEDEMAS

O aumento do membro, inicialmente um edema depressível, com Cacifo, evolui com deposição de fibrobastos, adipócitos e macrófagos, conferindo uma consistência mais firme a pele, diminuindo a depressividade cutânea a pressão.

Usualmente são extremidades que sofrem um agravamento por infecções cutâneas e subutâneas, inclusive erisipelas, resultando em maior comprometimento linfático, agravando o Linfedema; a pele assume o aspecto de “casca de laranja”, com uma prega ao nível do tornozelo, a “giba de búfalo”.

O agravamento está vinculado as complicações das fissuras interdigitais, as micoses podálicas – porta de entrada para as bactérias promoverem uma linfangite, linfadenite e erisipela.

LINFEDEMA
EDEMA VENOSO ou SISTÊMICO
Edema não depressível
Edema depressível, com Cacifo
Edema não cede com o repouso
Edema cede com elevação do membro
Geralmente unilateral, assimétrico
Uni ou Bilateral
Não acompanha-se de pigmentações pele
Geralmente com extremidade pigmentada, dermite ocre

LINFEDEMA PRIMÁRIO
LINFEDEMA SECUNDÁRIO
Sem causa determinável, geralmente congênita – Doença de Milroy
Secundário as linfangites
Quando congênita geralmente existem outros casos na família
Por filariose (infecção por Wuchereria bancrofti)
 
Por compressões tumorais abdomino-pélvicos


DIAGNÓSTICO

Nos estágios iniciais o diagnóstico é mais difícil, confunde-se com edemas venosos. Nos estágios secundário e terciário, o aspecto assumido pela pele facilita o diagnóstico. É fundamental a realização de Tomografia Computadorizada para descartar compressões linfáticas pelos tumores, assim como a Ressonância Magnética. A linfocintilografia auxilia na identificação dinâmica do fluxo linfático. A linfoangiografia auxilia na execução de procedimentos cirúrgicos.

TRATAMENTO

a) Clínico:
- Repouso criterioso
- Evitar posição em pé por tempo prolongado
- Preferir calçado com salto baixo
- Uso de meias elásticas com compressão efetiva
- Uso de Bombas de Compressão
- Monitoramento criterioso na integridade cutânea da pele da extremidade e pés
- Controle do peso corporal
- Massagens segmentares nas pernas

- Medicamentos:
- Diuréticos (em estágios iniciais)
- Benzopirona

b) Cirúrgico: reservado a menos de 5% dos casos.Os resultados são desalentadores .
Podem ser:
- Reconstrutiva – anastomoses linfovenosas...
- Excisional – com retirada do excesso de pele

 

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