LUXAÇÃO DE QUADRIL

1 – Anatomia do Quadril
A articulação do quadril é o meio de conexão entre a cintura pélvica e o membro inferior. É uma forte articulação, estável, multiaxial (executa os movimentos em todos os eixos )

a. Superfícies Articulares


A articulação se faz através da união de duas superfícies articulares:
- Acetábulo (semi esfera oca)
- Cabeça do Fêmur (semi esfera maciça)

Caracteriza-se por ampla mobilidade, com estabilidade. É a 2ª articulação mais móvel do corpo, só perdendo para a articulação do ombro.

É classificada como Articulação Sinovial, do tipo esferóide.

- Cabeça do fêmur: forma aproximadamente 2/3 de uma esfera, recoberto por cartilagem, exceto em pequena área, uma depressão, a fóvea da cabeça onde fixa-se um ligamento, o ligamento redondo
- Acetábulo: é uma cavidade hemisférica localizada na face lateral do osso do quadril, o osso ilíaco (ou coxal). A porção periférica desta cavidade é proeminente, revestida por cartilagem, em forma semilunar. Em face da altura desta margem do bordo do acetábulo, mais da metade da cabeça do fêmur encaixa-se no acetábulo. O acetábulo humano, está voltado inferior, lateral e anteriormente, que em face da posição bípede (ereta) acomoda a cabeça do fêmur sobre a parte ilíaca do limbo acetábulo. Modificações no ângulo de adaptação (ângulo de Wiberg) favorece a instabilidade articular, com falta de adaptações entre as superfícies articulares quando um pé. Ao natural, por questões angulares de adaptações, quando em pé a porção anterior da cabeça do fêmur articula-se com ampla área da cápsula articular.
Quando a articulação está fletida a 90º, abduzido a 5º e rodado lateralmente a 10º as superfícies articulam-se adequadamente com congruência (perfeita adaptação) articular

b. Meios de Reforço

As superfícies articulares mantem-se fixas pela capsula articular e ligamentos (íleofemural, pubofemural, isquiofemural). O lig. ileofemural é considerado o ligamento mais forte do corpo, impedindo a hiperextensão da articulação quando na posição ereta, mantendo a cabeça femural de encontro ao acetábulo. O lig. pubofemural impede a hiperabdução do membro. Em conjunto estes 3 ligamentos tracionam o fêmur de encontro ao acetábulo. Auxiliando estes três ligamentos, há um quarto ligamento, o ligamento redondo do fêmur, fraco, sem maior implicação na manutenção da congruência das superfícies articulares. Através do ligamento redondo, percorre-o uma artéria, a artéria do ligamento redondo

c. Movimentos

A articulação executa: flexão – extensão – adução – abdução – rotação e circundução

2 – Luxação do Quadril

A luxação CONGENITA do quadril é afecção muito comum, incidindo em 1, 5 em a cada 1000 nascidos vivos, sendo bilateral em 50% dos casos, 8 vezes maior no sexo feminino do que nos masculinos. A luxação ocorre quando a cabeça do fêmur não está adequadamente alojada na cavidade acetabular. A luxação ADQUIRIDA é rara porque os meios de fixação no adulto são fortes. Quando incidem, resultam de traumas fortes, em acidentes automobilísticos quando o quadril é fletido, aduzido e girado medialmente. As luxações adquiridas são mais freqüentes, posteriores ao acetábulo, frequentemente causadas quando em acidentes automobilísticos há impacto do joelho de encontro ao painel. Neste impacto a capsula articular rompe e a cabeça femural e jogada posteriormente ao acetábulo – o membro fibra encurtado e rodado medialmente. Nestas luxações, o N. ciático poderá ser comprimido, estirado ou lesado.
A luxação anterior, resulta de uma lesão violenta que força a extensão, abdução e rotação lateral do quadril. Nesta situação a cabeça do fêmur situa-se anterior e inferiomente ao acetábulo, frequentemente associada a fratura do limbo anterior do acetábulo.
A luxação CONGÊNITA do quadril é freqüente, justificada pela elasticidade complacente dos ligamentos durante o período fetal, o que acarreta uma maior probabilidade da luxação das superfícies articulares durante o período intra-útero
O quadril luxado exterioriza o Sinal de Allis, ou Galeazzi que consiste em posição anômala onde ao deitar em decúbito dorsal com quadril e joelho fletidos exterioriza um joelho de implantação mais baixa, determinado pela posição posterior da cabeça do fêmur, alojando-se atrás do acetábulo

3 – Tratamento

Tôda criança ao nascer deve ser examinada ao nascer procedendo a Manobra de Ortolani, que consiste em flexão do joelho e do quadril, seguido de rotação lateral do quadril e subseqüente extensão do joelho com concomitante rotação medial do joelho. Com a execussão desta manobra, constata-se um “clic” que faz o diagnóstico e tratamento da Luxação Congênita do Quadril, recolocando a cabeça do fêmur no acetábulo.
A luxação congênita do quadril (LCQ) quanto mais precoce e corrigida melhores prognósticos. Igualmente é valido para as Luxações adquiridas. O tratamento invariavelmente é conservador, reservando-se a cirurgia quando há recorrência habitual da luxação.
Nas LUXAÇÕES ADQUIRIDAS, instala-se contratura muscular reflexa, determinada pela dor. Havendo luxação, o paciente deve ser anestesiado para promover relaxamento muscular e proceder a redução da luxação. O membro deve ser tracionado vigorosamente no sentido longitudinal e rodado lateralmente. Com esta manobra as superfícies articulares se adaptarão

- Tratamento fisioterapêutico: O tratamento fisioterapêutico durante a imobilização gessada, tem por objetivo proporcionar isometria dos membros inferiores dentro do próprio gesso e tratar o tronco com flexão, extensão e lateralização. Após retirar a imobilização gessada, fazer mobilização ativa combinado com reeducação da marcha e exercícios de reforço muscular. A criança frequentemente tem receio em caminhar, nesta circunstância é recomendável hidroterapia, com exercícios de apoio sobre os pés (saltos, marcha) e exercícios para as pernas, estando a criança sobre uma prancha é estimulado os exercícios ativos. Estes exercícios ativos são recomendáveis assim que a criança conseguir ficar em pé.


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