O QUE FAZER EM...

1.MICOSES INTERDIGITAIS?

Micoses interdigitais, são lesões cutâneas entre os dedos dos pés (geralmente), causados por umidade persistente e excessiva entre os dedos dos pés, geralmente por má secagem dos pés após sua lavagem, o uso de calçados muito quentes e ventilados inadequadamente (tênis, calçados de material sintético, botas de borracha...). Os diabéticos, usuários de corticóides, imunodeprimidos... são mais suscetíveis as infecções por fungos (Trichophyton, Microsporum e Epidermophyton) que tem predileção pela queratina (camada superficial da pele), principalmente em áreas de dobras cutâneas e má ventiladas. Os espaços interdigitais, pregas inguinais, axilas, intergluteas... são uma predileção. As lesões interdigitais tem potencial de complicações bastante elevadas, principalmente em diabéticos e portadores de varizes, ulcerosos de membros inferiores e sequelados de Trombose Venosas de Membros Inferiores – pela possibilidade de penetração de germens (bactérias) pelas fissuras micóticas interdigitais, determinando uma enfermidade cutânea muito freqüente e potencial de gravidade muito elevada, denominada de Erisipela. A Erisipela é uma celulite superficial causada geralmente pelo Streptococcus pyogenes, que provoca uma reação cutâneo linfática, manifesta por vermelhidão (eritema), enduração cutânea, com bordos nítidos, muitas vezes com vesiculações, ou bolhas (Erisipela bolhosa). A erisipela passa a ter um papel importante pela possibilidade de recorrência, dado o acometimento linfático onde cada episódio pode deixar seqüelas (dermite, linfedema secundário....)

TRATAMENTO DA MICOSE:

1. Secar MUITO BEM após banhar os pés
2. Usar um secador de cabelo para complementar a secagem
3. Pincelar entre os dedos (nos espaços lesionados), tintura de iodo (incolor, ou tinto), deixando secar o líquido aplicado
4. Aplicar antifúngico topicamente, 2-3 vezes/dia por 3-4 semanas.

Existem inúmeras substâncias farmacológicas disponíveis no mercado, sob diversas formas: líquidas, cremes, sprays. A escolha da substância está na opção do médico, que considera custo x benefícios. As mais usadas são:

- clotrimazol
- econazol
- miconazol
- terbinafina

5. O uso sistêmico NÃO é de utilização habitual, reservado aos casos de lesões extensas, ou mau estado imunológico do paciente. Nestas situações tem predileção o cetoconazol, apresentados em comprimidos de 200mg, usados na razão de 1compr/dia (cuidar em doentes hepáticos), ou fluconazol, apresentado em cápsulas com 150mg, utilizando-se 300mg 1 vez/semana por alguns meses.

2. EM ASSADURAS DE FRALDAS (DERMATITE DE FRALDAS ou DERMATITE AMONIACAL)?

Exterioriza-se por vermelhidão perineal, acompanhado de dor ardorosa, coceira (prurido) leve. Com o advendo do uso de fraldas descartáveis, esta afecção vem diminuindo progressivamente mas a substituição das fraldas em intervalos mais longos, aliados a uma pele mais delicada, ou a concomitância de Diabetes, em crianças e adultos senis, propiciam as suas manifestações. Se não tratada adequadamente e precocemente podem surgir complicações: cronificação, associação com cândida, ou infecções secundárias, com formas atípicas papulosas, erosivas ou ulceradas. A causa da dermatite geralmente é ação de contato prolongado com a urina, resíduos de sabão em fraldas de pano (principalmente, sabões em pó), ou até fraldas descartáveis de má qualidade. Fatores coadjuvante pode manifestar agravamentos ou desencadeamento (plásticos, borrachas, lençóis impermeáveis...)

TRATAMENTO:

1. Eliminar o uso de sabonetes
2. Trocar frequentemente as fraldas – se possível, deixar o maior tempo possível sem fraldas
3. Se usar fraldas de pano, lavá-las com água e sabão de coco, enxaguando abundantemente com água corrente, por fim enxaguar as fraldas em um balde com água com um copo de vinagre
4. Toda vez que trocar as fraldas, lavar a área afetada com toalha macia e felpuda, umedecida em água ou soro fisiológico
5. Aplicar cremes a base de óxido de zinco (HIPOGLÓS), ou corticoesteróides (DRENISON CREME) – 3 vezes/dia. Ficar atento as lesões. Os corticóides podem favorecer a instalação de bactérias ou fungos. Se usados com critérios, dão excelentes resultados.

OBSERVAÇÃO – este tratamento é válido para crianças ou idosos, em uso de fraldas

3. EM FLEBITES SUPERFICIAIS?

A flebite superficial caracteriza-se por reação inflamatória, NÃO infecciosa das veias superficiais, geralmente em membros inferiores e de veias varicosas. Pode se manifestar em graus diversos, com hiperemia (vermelhidão) cutânea, enduração venosa, hipertermia regional acompanhada de dor em intensidade variável, conforme a severidade do quadro e da suscetibilidade do paciente.

O quadro pode ser de origem traumática ou uma complicação das próprias varizes.

TRATAMENTO:

1. Repouso, proporcional a gravidade do quadro. Quanto mais severo, maior o tempo durante o dia para o repouso com o membro inferior elevado
2. Elevar os pés da cama com tacos de madeira (ou tijolos), aproximadamente 20 cm (não elevar exclusivamente o colchão ou os pés do corpo com travesseiros, cobertores, acolchoados... não é eficiente e pode trazer transtornos por compressões localizadas nas pernas
3. Usar analgésicos, adequados a intensidade da dor
4. Antiinflamatórios orais não hormonais (diclofenacos, piroxicam, ibuprofeno, meloxican...) por 15 dias. Ao final deste período reavaliar o paciente
5. Tônicos venoso (DIOSMIN, DAFLON, VENALOT, VENOCUR TRIPLEX, VENUROTON...)
6. Compressas quentes e úmidas 3-4 vezes/dia, por 30 minutos cada vez
7. Aplicar cremes ou pomadas a base de heparinóides, após as compressas quentes
8. Analisar espaços interdigitais para avaliar possíveis micoses ou fissuras podálicas.

 

Rua Três de Maio, nº 1040 - Pelotas/RS - Fone: (53)32253164